Animais são anjos disfarçados, mandados a terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.

“Sinto que não há nada que eu queira mais que cuidar de você, só de pensar em te perder pra sempre eu sinto um vazio que se expande a cada segundo que fico sem falar com você, é como morrer lentamente e sentir-me fraco sem vida, seu beijo, seus olhos tristes dizendo o quanto é dependente do meu amor. A cada gota de chuva que caía eu podia sentir o meu peito apertando cada vez mais, me lembro como se fosse hoje, é tão presente essa lembrança em mim que meu peito volta a doer, a emoção vem à tona e me deixa arrepiado. Ainda posso sentir o teu ultimo beijo, um beijo doce e molhado, o beijo que eu nunca mais vou esquecer, era o ultimo, era a despedida, o meu amor estava indo embora como a água daquela chuva que escorria pelo canto da sarjeta e eu não podia fazer nada, era como a água que ninguém segura, ninguém pode conte-la e nem mesmo a mais forte das barreiras poderá te segurar. O que eu escrevo, é menos do que posso dizer. E o que eu posso dizer, agora é o menos do que eu sinto por você. Tanta verdade se perde no caminho do coração ao cérebro. Ado eu quero que você saiba tudo o que eu sinto, sem perdas pelo caminho, sem desperdícios. Os pássaros estão com as penas enlameadas, o dia está nublado sem adentrar nenhum filete de luz, falta você aqui. Venha percorrer os meus caminhos de volta, das folhas ao coração. É aqui dentro que você tem de morar, meu amor. Quero usar uma de suas camisetas com a sua colônia masculina, quero te envolver virando-o, manipulando-, excitando-o sem que venha a perceber, passando das frases mais arrebatadas ao sussuro mais tímido. Cambaleei tonta até a janela. Uma chuva miúda enregelava a paissagem, da janela criava uma fábula falsa de nós dois em meu quarto tomando aquele chá gelado, tirando todas as camadas de roupas, dissolvendo os nossos corpos em um só corpo, uma cama como dizem por aí de “solteiro” se tornando tão, mas tão grande para nós, estávamos encolhidos como se só houvesse um ser ali, você me abraçando e me esquentando passando a mão pelo meu corpo. Conseguia ver que seu beijo me trazia paz, me trazia doce, me deixava doce, seu olhar me deixava calma só de ver a imensidão que ele tem, mas foi como uma fábula real, o mal chegou e destruiu tudo, pisquei inúmeras vezes e olhei as gotas se deslisando na janela de vidro do meu quarto. Está tudo confuso, é como se tudo que eu mais quisesse aqui em minhas mãos, tudo que eu mais quisesse alcançar em meu olhar tivesse fugido, é como se eu quisesse tomar banho de mar e o mar tivesse secado, é como se eu quisesse ver as estrelas e elas evaporaram pelo céu, é como se eu quisesse fugir mas as ruas tivessem sumido, está tudo impossível pra mim, está tudo fora do meu alcance, está tudo se escapando e correndo do meu olhar. Meus olhos estão se cansando de procurar o brilho dos seus, minha boca está seca e precisando de um lábio doce que nem o seu, mas estou cansada de esperar você, estou me desmanchando aos poucos. Pareço sozinha no mundo, pareço correr de algo que cada vez chega mais perto de mim, pareço correr da solidão, mas ela sempre me alcança, ou sempre está à frente de mim, cansei, desisto, eu realmente me rendo a você solidão, você venceu. Meu quarto parece aconchegante e escuro, aquele canto está bem melhor e mais quentinho…as pessoas gritam e batem na porta, não ouço, finjo não ouvir, não quero ouvir…quer dizer, eu estou ouvindo, mas dane-se, quando eu gritei por ajuda, ninguém quis me ajudar, agora é isso, não quero ouvir, vou continuar aqui, como se nada tivesse acontecendo. Estou ficando cada vez mais fraca, essa distância entre meu coração e o seu está me deixando fraca demais, a chuva lá fora está mais forte e janela do meu quarto não bloqueia mais o som dela, meus olhos me fazem lembrar de coisas que eu sempre quis esquecer. E volta tudo de novo, a vontade de ter algo que eu nunca mais vou poder alcançar.“ — c-olapso and agrilhoado